segunda-feira, janeiro 08, 2007

PMF: Se não tá no Google: existe?

A existência. Sempre tida como algo que atormenta a humanidade, esta composta em sua maioria por seres humanos. Somos os únicos com tempo suficiente para gastar pensando em questões como esta.

O que eu mais acreditei é que teria uma resposta simples para esta pergunta. Quando empunhei minhas espadas, deparei-me com demônios maiores do que os que tenho costume de enfrentar:



Da mitologia Russa, existia um amoroso pai, que para por comida na mesa e Vodka na esposa, era um renomado matemático. Seu nome era Boris. Numa bela manhã de neve, Boris se aproxima do quarto de seu filho, e o invoca: "Sergei! Respondei-me, filho amado. Se tenho 7 maçãs e como 2, com quantas ficarei?"

Diante do desafio imposto por seu pai, Sergei esforça seu intelecto ao limite. Ele realmente tenta fazer de seu progenitor um homem orgulhoso... tenta, tenta, mas sua busca por uma resposta se prova infrutífera. Aquele desafio era algo para o qual ele não estava preparado. Decepcionado, ele responde ao pai: "...eu sabia esse, mas com laranjas."

Atenta à conversa dos dois e num hábil exercício de eavesdropping, a esposa, Natasha (algumas grafias se referem a ela como Natassja) propõe a Boris que dê uma nova chance ao seu filho, Sergei. Boris, um pai de grande coração, concede ao diligente infante mais uma chance: "Filho meu, ando fazendo pesquisas sobre um número de ordem infinitamente grande. Como já notastes, preciso de um nome melhor do que um número de ordem infinitamente grande. Sugira-me um nome..."

Sergei prontamente acatou o novo pedido, e concede a seu pai um nome: "Googol". Boris fica completamente extasiado, e decide que, daquela data em diante, chamaria de Googol o número 10100 (isso é 1 seguido por cem zeros). A mitológica família se deu por feliz, e todos saem para tomarem picolés de Orloff, nos alvos campos siberianos.

Durante a época da guerra fria, aeronaves U-2 Dragonlady espionaram todos esses fatos, tanto através das câmeras de vigilância da aeronave, quanto pela instalação de microfones no Lada de Boris - uma forma deveras astuta que o ocidente encontrou para escutar a conversa alheia. Nossos amigos americanos não podiam ficar para trás na arte dos números grandes, e logo inventaram seu próprio nome, como sempre primando pela originalidade: Google.

Por causa de homens americanos e lusitanos, hoje somos inundados com uma avalanche (lol) de valores e honras dúbias. "Se não tenho carro, não existo." "Se não tenho certidão de nascimento, não existo." "Se nunca comi ninguém, não existo." "Se sou papai noel, não existo." Hoje, Google, na forma de um mecanismo de busca, engorda a lista de sofrimento existencial.

Gostaria de poder ter falado "O Triple-A não está no google. Ele existe?" Mas, como podem ver nessa screenSHOT, toda resistência é fútil. Quebrei uma espada de estimação pesquisando a extensão de seus poderes.

Bom, meus caros: a batalha foi dura, e a pergunta, difícil. Mas trouxe à luz, finalmente, uma resposta: ela está em seus corações. No DNA, e no seu sobrenome ridículo também. Exatamente - respondo isso olhando para o passado.

O google não tem dados quantitativos, qualitativos, gráficos, volumétricos ou de qualquer natureza sobre a virgindade de nossas avós, ou dados geodésicos de reconhecimento da vanguarda de seus órgãos reprodutores, que sem os quais hoje não estaríamos aqui (e que se os mesmos não tivessem se submetido a VIGOROSO usufruto de nossos vovôs, hoje também não estaríamos).

CERTAMENTE, tais órgãos existiram. Mas, Googol, Google ou Googolovsky - nenhum deles tem imagens, informações ou diagramações dos mesmos, sejam eles antigos ou recentes (e o motivo de não haverem os recentes é tão óbvio que nem precisamos procurar no Google.)

Se você ainda acha que sua existência é uma ilusão e que foi conjurado por um círculo de fogo durante o programa Topa Tudo por Dinheiro em alguma espécie de ritual, resolva seu problema com uma das 3:

1- Pare de ler o Mundo de Sofia
2- Nade no álcool, acenda e jogue limão. Se doeu, é porque você existe.
3- Vá pegar uma puta cara. 5000 reais pra cima.


(Agradecimentos especiais a meu amigo Bryan Niescheslavsky, por elucidar a mitologia Russa, e me ajudar na árdua estrada de aprimoramento de Mestres.)