domingo, dezembro 31, 2006

Especial: 31/12 - A Maratona do Seu Silvestre


É, não há dúvidas. O fim está próximo. Nessa beira de precipício chamada 31 de Vindimário de 2006, a melhor decisão segundo o mestre Jardel é uma só: dar um passo à frente. Talvez não seja Vindimário, eu não sei realmente o calendário da revolução francesa. Enfim, nesta data querida de muitos meses devida, as pessoas fazem todo tipo de coisas estranhas das quais falarei mais adiante - mas dessa em particular falarei agora: correr no meio de uma multidão pelas ruas da sangrenta São Pavlo, capital dos nossos amigos paulistas.

O nome do evento é "Maratona de São Silvestre", e foi escolhido como forma de homenagear os infindáveis esforços do gato alvinegro norte americano mais querido do mundo, o Sylvester. Popularmente conhecido como FRAJOLA e engordando a lista de traduções/adaptações sem sentido, o felino do ventre pardo não poupa esforços perseguindo um canário amarelo, para um dia alimentar-se do mesmo. Para COMER a ave, o gatuno se esforça até os limites da exaustão física, percorrendo verdadeiras maratonas. Inspirados em seus incessáveis esforços, os primatas representantes decidiram criar o evento como um tributo ao legado predatório do gato e a ave, a luz e as trevas, o bem e o mal.

No ano de 2006 A.D., comemora-se a octogésima-segunda (ou OCTAgésima, caso o candidato se inscreva na prova feminina) edição da Maratona do primeiro padroeiro Felis Catus Familiaris. Sobre se é octo ou octa gésima, isso ainda me é um mistério como toda a língua portuguesa, apesar do meu índice de acentuações corretas ser bem elevado sobre a média nacional. Em todo caso, falando em provas femininas, nem sempre foi assim. Em meados da década de 80, num esforço conjunto com as "Diretas Já!", o plenário sancionou uma lei que permitiria que as mulheres tivessem uma prova exclusiva para si.

=D "Running like a girl" =D

Apesar de ligeiramente contraditório ao ideal de feminismo e igualdade entre sexos, essa clara manifestação separatista traz seus benefícios, como a inibição de tarados. Particularmente, eu pensaria duas vezes antes de tentar minha sorte com uma das corredoras, já que fugir envolve a mudança de velocidade de lento para rápido. Como as corredoras já estão em "rápido" e são corredoras, possibilidades reais de evasão são deveras questionáveis. Não nego o fato de que os policiais tupis em Harley Davidsons agindo como batedores/scouts são intimidantes também.

Sempre imaginei se em algum momento da prova os maratonistas não invejam a posição galante e confortável dos patrulheiros montados nas motocicletas, e me questiono sobre a ira que se imbui nos corredores ao terem suas caras esfumaçadas pelo cano de escape, numa situação onde cada cm³ de ar atmosférico puro é precioso.

Alheio a situações estressantes envolvendo tarados e fumaça, temos diversas válvulas de escape e tentativas bem-humoradas na maratona. Provavelmente impelidos pela transmissão televisionada da competição, alguns inscritos transvestem-se de Super Homens, Mulheres-Maravilha, Super Mouse, Capitão Caverna, dentre outras bizarrices. Vale tudo neste grande vestibular por 15 minutos de fama. Até se vestir de noiva como este feio zé roela logo abaixo em vosso ecrã. Se olharem atentamente, "Procuro um Noivo" é o que diz a sua plaquinha, provavelmente pintada à tinta guache algumas horas antes da corrida. O que mais assusta é que talvez ele encontre. Ou, pelo menos, algum escocês insano numa fúria cega para bulinar algum competidor, como foi o caso de um brasileiro de cujo nome me foge à lembrança no momento. Ah, os escoceses. Seus "kilts" (a saia) tem aquele padrão tipo cobra coral para que realmente se saiba que é preciso manter distância deles. Mas nem todos os ROBERTS são perdições. Durante o meu levantamento de material para este especial do Triple-A, deparei-me com algumas felicidades.

to aparecendo, to aparecendo!!!1!1!!one

Ela não é menos ROBERT que o cavalheiro em véu e grinalda, mas é seguro dizer que representa a fina linha entre o BOM e o MAU robertismo. Ou pelo menos, um robertismo mais tolerável.

ô coisa linda.

Isso sim é que é uma índia do cacique. Pena eu ter sofrido de evasão escolar na Universidade Federal de Pajelança.

Bom, com isso concluo o meu, o seu, o NOSSO especial de fim de ano do Triple-A Site. Com essa vasta disponibilidade de informações, certamente a Maratona de São Sylvester tornar-se-á muito mais compreensível perante olhares leigos. Até a próxima! =D