domingo, junho 03, 2007

Omni-omatopos éias

Bem francamente, eu não sei se a classe gramatical semântico-morfossintática dessas palavras é realmente a de onomatopéias, mas com certeza são tentativas de escrever efeitos sonoros no papel. Ou em mídia digital no padrão ASCII. Vejamos:

Todo mundo sabe que o gato mia e o pinto pia porque o primeiro faz "MIAU" e o pinto faz "PIU", tornando o processo de memorização onomatopédico extremamente prático. Algumas outras aproximações são perfeitamente possíveis utilizando-nos do mesmo processo, como o do galo que faz có-có e, através de uma hábil e discreta distorção (pelo processo de mera-conveniência), é dito que o galo cacareja.

O problema todo começa quando algumas bestas mais inconvenientes proferem seus sonidos lacustres e estes nem sempre encontram correspondentes etimológicos na língua por-tuguesza. O gato mia-miau, mas o cachorro late-auau...? Errou profundamente quem disse que o cachorro "áua". E pior, dizem por aí que cachorro também ladra, vindo daquele ditado "cão que ladra não morde".

Até porque se o cachorro além de roubar ainda tiver que morder você tem um problema sério.

Agora, esse até que é um exemplo comum já que cachorro todo mundo sabe quando tá latindo. A vida em sociedade, a mesma que salva os humanos da morte certa para legiões de coyotes, é também a mesma que te colocará do lado de um vizinho louco de meia-idade que cria 5 yorkshires que adoram latir durante a noite.

Mas e o som do falcão? Do pato? Do lêmure de cauda anelada? Ah garotinho, agora você se fudeu. É, você aí que sabe até qual o coletivo de cobra e aumentativo de água. Tem sempre um fanboy idiota na nossa escola que adora decorar essas porcarias em português, mas aposto que a máscara deles ia cair numa aula de linguística Falkiniana. O verdadeiro conhecimento às vezes pode não estar num livro.

Me pergunto também o que o coelho faz. Pra mim coelho que é coelho faz mais coelho. Habilmente. Sempre tão ocupado que nunca tem muito tempo de falar, e aposto que nunca ninguém ouviu um coelho se comunicar tanto assim - razão suficiente pra nenhum ser humano são saber qual o som do coelho. E aposto que eu vou levar bons anos pra escrever tantas vezes a palavra "coelho" no mesmo parágrafo. Droga, olha ela aí de novo...

A verdade é que sempre que inventam uma regra r0x um babaca tem que vir inventar uma exceção. Porra, se a vaca faz "MU", "mugir" é uma onomatopéia ótima. Mas se o ganso faz "qué qué", porque que ele tem que "grasnar"? Oh, mundo cruel. Se é que um ganso faz qué qué, se é que um ganso realmente grasna. No momento, to mais preocupado se eu deveria ter escrito qué qué com trema no "u" do que com barulho de ganso.

Dizem que os gansos são excelentes cães de guarda. Não acreditem nisso porque cão que tem pena é sinal de que a atmosfera provavelmente está saturada com vapores de carbonização de vegetações herbáceas alucinógenas.

Vou ficando por aqui, deixando-os a digníssima chance de filosofar ao som de um clássico da MPB: "E o pintinho? piu, piu, piu...."