quarta-feira, março 07, 2007

O LOUCO jogo dos números


Aposto que vocês nem desconfiavam. Mas a verdade, como sempre nua e crua, nos é omitida habilmente, até que alguém como Falk a traga à tona. Na verdade, este gênio marroquino queria era nos poupar de ter que escrever os números por extenso. Se ele era marroquino, eu não sei. Mas que era um gênio, isso era.

Eu lembro que na primeira série as professorinhas forçavam a gente a escrever os números por extenso (se não me engano em aulas de matemática, uma coisa bem WTF na minha opinião - devia ser em aula de português, tipo junto com numerais cardinais, ordinais, ordinários e afins). Também era preciso fazer o caminho contrário - escrever quatrocentos e quinze como 415. LOL, lembro que o que chovia de noob escrevendo "40015" não era uma brincadeira.

O trabalho que esse caboco marroquinho fez realmente deveria ser a primeira maravilha do mundo. Não consigo imaginar uma coisa mais escrota do que telefonar usando algarismos romanos (e tem quem jura que é algorismo românticos) ou como seria o teclado do telefone não fosse o Marroquinho (nossa, chamar ele de marroquino é escroto, vou chamar de Melvin).

Graham Bell teria que ter colocado um teclado QWERTY no telefone pra pessoa conseguir discar aquela época. Além de ter inventado o telefone, Graham teria que ter inventado na mesma noite o padrão ASCII e o corretor ortográfico, pra evitar que as pessoas fizessem ligações erradas. Não que alguém TIVESSE telefone naquela época, afinal estamos falando do Canadá de 1840 onde a população de ursos e flocos de neve ultrapassava tanto a de... imigrantes, fazendo do telefone uma invenção de utilidade no mínimo questionável.

Mas em todo caso, estamos felizes e gordos por causa dos números do Melvin. Imagina chegar no McDonald's e pedir "Eu quero um número DOIS =D"? Sinceramente, nunca ia funcionar. Aí você ia ter que soletrar a palavra "DOIS", ia ficar mais tempo no Drive-Through, emitindo poluentes e deixando a população puta atrás do seu carro, segurando toda a fila.

Toda a história da humanidade seria deferente, não fossem os esforços angulares de Melvin. Nem as calculadoras teriam teclas utilizáveis por qualquer analfabeto. Melvin era um homem visionário - com qualquer conhecimento de contagem e matemática, uma pessoa pode calcular sem saber ler. Não consigo pensar num exemplo maior de inclusão digital.

Todos os veadinhos de número 24, os de número 11, a escrita 1337, a Embratel e milhares de outras maravilhas que não consigo lembrar teriam que viver no anonimato. Melvin, o grande Marroquino os trouxe ao lúmen da sapiência humana através de 10 traçadas. Não fosse pela sua grandicíssima invenção, até mesmo a lascívia e o romantismo de um sessenta e nove com a namorada teriam um vão significado.

Mas nem tudo são flores. Por causa de sua invenção, hoje temos um jogo chamado Sodaku, que através da matemática, imprime padrões hexadecimais no sub-consciente humano, os conduzindo a práticas homossexuais. Além deste jogo de nome sumamente apropriado, temos ainda dados de 20 lados portáteis, nerdisse esta que não existiria sem os algarismos Melvinianos.

Diante desse paradoxo, nos deparamos com uma perspectiva de gratidão ou receio. Reza a lenda que nos hieroglifos marroquinianos é possível encontrar um número de telefone que seria de Melvin. Amigo íntimo de Graham Bell, este teria sido presenteado com um número especialmente criado pra ele, de graça e sem impostos. E quem quiser telefonar pro Melvin para agradecer ou dizer-lhe desaforos, não precisa se preocupar porque até samba já tem:

"Telefone ao menos uma vez
para 34 43-33..."